terça-feira, 15 de março de 2011

Objectivo


Gotas de chuva mergulham no rio
Provocando suaves vibrações
Que formam círculos em seu redor
Círculos que se tocam e abraçam por instantes.

É um mergulho longo
Sabem que não voltarão à superfície

As gotas e o rio fundiram-se num só
Formaram um só corpo
Agora o rio é mais extenso à medida que se deixa romper
Pelas gotas,
Que caem sem cessar

Como se o rio sofresse de uma sede insaciável... interminável...

Tantas gotas repousaram no seu leito
E mesmo a transbordar, continuava sedento
Estendeu os seus braços, desbravando tudo ao passar

Até que encontra o seu lugar...

Finalmente...
Chegou ao mar.

Lúcia Fernandes

Não importa onde...


Não me importa para onde vou
Importa-me, sim, onde estou
Pois é este o momento
Que reflecte os lugares por onde passei
E para onde irei

Importa-me com quem estou
O lugar é efémero
Só a vivência dos momentos tem significado
E nas pequenas coisas podemos agarrar a simplicidade e a beleza da vida

Sermos nós próprios... sem teatros, nem máscaras...
Sem pesos, nem medidas
Sem pressa...

Esses momentos saram-nos as feridas
Com as quais fomos marcados pelos lugares passados
E outros tantos onde pernoitámos...

Aqui, ali, além...
Que importa?!
Desde que esteja com quem  me quer bem.

Lúcia Fernandes

domingo, 13 de março de 2011

No Banco do Jardim


Sentada num banco de jardim
Onde todos passam por mim
A minha imaginação não tem fim...

Voo alto como as gaivotas
Atenta a cada movimento
Escuto o piar dos pássaros
Lá no firmamento

E imagino-me voar
Por este céu sem fim
Aproveitando todos os momentos
Que neste instante
Me pertencem... só a mim

Momentos de solidão
Envolta nesta multidão de sons e odores
Que tento absorver a cada golfada de ar que inspiro

O cheiro a relva fresca
Recentemente encharcada pelas últimas chuvas de Inverno
É para mim o pronúncio de melhores dias
Onde o Sol reinará
E a luz será abundante... rasgando os céus, para afastar as nuvens
Que teimam em tapar a luz

Sentada num banco de jardim
Sonho...
Porque os sonhos são o impulso da Vida.

Lúcia Fernandes